PUBLICIDADE
Economia
Noticia de: 21 de Novembro de 2017 - 10:31
Banco Mundial sobre o Brasil: gastos além da conta, ineficientes e socialmente injustos



 
 
O Banco Mundial entregou na manhã desta terça-feira (21) aos ministros Henrique Meirelles (Fazenda) e Dyogo Oliveira (Planejamento) um relatório com diagnóstico detalhado sobre os gastos públicos no Brasil analisando oito áreas.

O documento avalia os gastos sobre três aspectos: o peso no Orçamento, a eficiência e a avaliação sobre o ponto de vista da justiça social. A conclusão não é favorável ao Brasil.

O relatório foi encomendado ao Banco Mundial pelo ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy, teve prosseguimento durante a gestão do sucessor, Nelson Barbosa.

O título é provocativo. Um Ajuste Justo: Uma Análise da Eficiência e da Equidade do Gasto Público no Brasil.

Analisa oito áreas do gasto público no Brasil, com diagnóstico detalhado de cada uma delas, levando-se em conta o peso no Orçamento, o grau de eficiência e, ponto importante, o quanto é socialmente justo. Ou injusto.

A conclusão é severa: no Brasil, os governos (federal, estaduais e municipais) gastam mais do que podem; os gastos são ineficientes, pois não cumprem plenamente seus objetivos; e, em muitos casos, de forma injusta, beneficiando os ricos em detrimento dos mais pobres.

Aponta que, nas últimas duas décadas, o gasto público no Brasil aumentou de forma “consistente”, colocando em risco a sustentabilidade fiscal do país. O déficit fiscal alcança 8% por cento do PIB, e a dívida saltou de 51,5% do PIB, em 2012, para 73% neste ano.

Alguns destaques do relatório:

  • Previdência: o estudo aponta que 35% dos subsídios beneficiam aqueles que estão entre os 20% mais ricos. E apenas 18% dos subsídios vão para os 40% mais pobres. Na aposentadoria do serviço público, a injustiça é ainda maior. O subsídio para os servidores federais custam o equivalente a 1,2% do PIB e, no caso dos servidores estaduais e municipais, mais 0,8% do PIB.
  • No caso do serviço público, conclusões incômodas. De acordo com o Banco Mundial, os servidores públicos federais ganham, em média, 67% a mais do que os trabalhadores da iniciativa privada. A diferença quando comparada com os servidores estaduais também é elevada: 30% a mais.
O problema no Brasil, comparando com outros países, não é o número de servidores, mas a remuneração incompatível com a capacidade de pagamento do estado. De acordo com o estudo, 83% dos servidores públicos integram o conjunto dos 20% mais ricos da população.
  • Educação: as despesas com o ensino médio e fundamental apresentam elevado grau de ineficiência e seria possível reduzir em 1% do PIB os gastos, mantendo o mesmo nível dos serviços prestados. O governo gasta 0,7% do PIB com as universidades federais. A universidade gratuita é também injusta: 65% dos alunos estão entre os 40% mais ricos. Aos mais pobres, que não conseguem ingressar na universidade pública, resta a opção do FIES. “Não existe um motivo claro que impeça a adoção do mesmo modelo para as universidades públicas”, afirma o estudo, sugerindo o fim da gratuidade na universidade pública, criando-se bolsas para quem não pode pagar.
  • As políticas de apoio às empresas consumiram 4,5% do PIB, em 2015, e, segundo o relatório, não há evidências de que tenham contribuído para o aumento da produtividade e geração de emprego. “Pelo contrário, tais programas provavelmente tiveram consequências negativas para a concorrência e a produtividade no Brasil”.
  • Na área de saúde, o Banco Mundial afirma que seria possível gastar 0,3% menos do PIB mantendo o mesmo nível dos serviços.
  • E uma economia de até R$ 35 bilhões em três anos poderia ser obtida com melhorias no sistema de licitação e compras governamentais, sem que para isso seja necessário mudar a legislação. Apenas mudando os métodos.
Somando tudo, o Banco Mundial conclui que o governo federal poderia economizar cerca de 7% do PIB com ações que aumentassem a eficácia dos gastos públicos, reduzisse os privilégios, focando o atendimento dos serviços nos segmentos mais pobres da população. Incluindo estados e municípios, o ganho fiscal, a economia, chegaria a 8,36%

principal  |  voltar  |  imprimir

Últimas Noticias

.
07/12/2017 - 15:39  Por que os juros bancários para o consumidor caem menos que a Selic?
07/12/2017 - 09:51  Indicador de emprego tem maior nível da série e indica tendência favorável, diz FGV
07/12/2017 - 09:40  Petrobras vai mudar regra que reajusta preço do gás de cozinha
04/12/2017 - 11:34  Vendas de fim de ano devem ter aumento de 4% em Mato Grosso do Sul
04/12/2017 - 10:42  Mercado sobe para 0,89% previsão de alta do PIB em 2017 e vê inflação menor
04/12/2017 - 10:18  Reforma da Previdência estadual começa a valer no dia primeiro de maio
04/12/2017 - 10:09  Programa que incentiva produção de bovinos precoces supera expectativas
30/11/2017 - 09:06  Desemprego fica em 12,2% e tem a maior taxa da série para outubro
27/11/2017 - 08:57  Mercado financeiro reduz estimativa de inflação para 2017 e 2018
27/11/2017 - 08:26  Crise faz disparar número de microempreendedores no Estado
21/11/2017 - 07:21  Abertura de empresas reage e avança 6,9% este ano no Estado
21/11/2017 - 07:08  MS registra saldo positivo de empregos no mês de outubro
17/11/2017 - 10:18  Com agronegócio, MS garante melhor resultado do PIB no País
16/11/2017 - 13:16  PIB de MS cai 0,3% em 2015, mas é o melhor resultado do país, aponta IBGE
16/11/2017 - 09:27  MS amplia capacidade de abates em mil cabeças/dia
06/11/2017 - 10:07  Aumento de 4,5% no gás de cozinha já está valendo.
31/10/2017 - 10:28  Mensalidades escolares devem ter reajuste de 5% a 10% em 2018
31/10/2017 - 10:26  Desemprego recua para 12,4% em setembro, a menor taxa do ano
25/10/2017 - 07:41  Preço médio da gasolina recua, mas o do gás de cozinha dispara em MS
25/10/2017 - 07:30  Aumento de 42,8% na taxa de energia deve ser maior para o consumidor de MS
 
 
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE