PUBLICIDADE
Saúde
Noticia de: 27 de Novembro de 2017 - 08:58
Pesquisa em roupas íntimas encontra 10 mil bactérias e fungos com risco de infecções; médicos fazem alerta



 
 

Amostras de roupas íntimas foram analisadas em pesquisa de Campinas, que constatou contaminação por fungos e bactérias (Foto: Patrícia Teixeira/G1)

 
 

Uma pesquisa feita em Campinas (SP) com roupas íntimas - calcinhas, cuecas e sutiãs - encontrou 10 mil bactérias e fungos nas peças usadas, após várias lavagens, e contaminação também nas novas, recém-compradas. O risco para a saúde vai desde alergias até infecções graves e incontinência urinária.

O estudo, feito na Faculdade Devry Metrocamp, analisou 52 peças, sendo 27 novas - com contaminação em 85% por bactérias resistentes -, e 25 usadas - com risco de doenças em 92% delas. Mulheres e homens entre 20 e 55 anos participaram do estudo. Para idosos e crianças, os itens novos integraram as amostras e também geraram preocupação.

"A gente analisou o forro, a parte que fica muito mais em contato com o ânus e a região vaginal ou peniana. [...] Se a pessoa já tem uma predisposição, fez uma cirurgia ou está com uma ferida, pode desenvolver dias depois um desconforto. É uma irritação, uma ardência e isso pode levar a um quadro de infecção mais grave", afirma a doutora em ciência de alimentos, bióloga e pesquisadora Rosana Siqueira.

    Pesquisa realizada em Campinas encontrou até 10 mil fungos e bactérias em roupas íntimas (Foto: Patrícia Teixeira/G1)

Pesquisa realizada em Campinas encontrou até 10 mil fungos e bactérias em roupas íntimas (Foto: Patrícia Teixeira/G1)

Peças usadas

A falta de higienização correta foi a grande vilã da pesquisa. Nas calcinhas e cuecas usadas foi encontrado o maior número de micro-organismos - até 10 mil - responsáveis por causar corrimento, dor, febre, alergia, ardência, irritação na pele, infecções de urina graves, anais e penianas, além de inflamações.


Representam risco ainda maior para quem possui hemorróidas e fístulas anais, em mulheres e homens."Mais de mil [micro-organismos] já é preocupante", diz Rosana.

"Algumas mulheres têm muitas queixas com infecções de urina recorrentes e, às vezes, o problema está na calcinha. O mesmo para os homens, às vezes se queixam de dor", afirma Rosana.
    Pesquisadora Rosana Siqueira analisa cuecas entre as roupas íntimas em estudo feito em Campinas (Foto: Patrícia Teixeira/G1)

Pesquisadora Rosana Siqueira analisa cuecas entre as roupas íntimas em estudo feito em Campinas (Foto: Patrícia Teixeira/G1)

Peças novas

Nas peças novas vale o alerta para quem tem "preguiça" de lavá-las antes de usar, e também para quem as experimenta antes de comprar. A pesquisadora encontrou nas amostras de calcinhas, sutiãs e cuecas - compradas em lojas de shoppings e também em comércio de rua - até 250 bactérias resistentes.

"[Encontramos] Staphylococcus aureus, Staphylococcus saprophyticus e Candida albicans, que são micro-organismo que fazem parte da microbiota da maioria da população. Ou são provenientes do material utilizado, dos manipuladores, ou das pessoas que estavam ali para comprar. O novo não é sinônimo de segurança", diz Rosana.

O cuidado com os sutiãs é preciso principalmente nos casos em que a mulher amamenta - possui nos mamilos uma "porta aberta" com pequenas fissuras - ou passou por cirurgia de mama e está em fase de recuperação.

Os fungos e bactérias encontrados - entre elas a Escherichia coli - podem causar desde irritação na pele até furúnculo, inflamações nos mamilos, micoses e manchas.


"Quando esses microorganismos conseguem penetrar na mucosa, aumentam a quantidade e podem cair na corrente sanguínea e afetar outros órgãos. Pode ser que não aconteça nada, mas se o sistema imunológico está debilitado, pode ser prejudicial", ressalta a bióloga.
    Análise em roupas íntimas abrange peças novas e usadas em estudo de Campinas (Foto: Patrícia Teixeira/G1)

Análise em roupas íntimas abrange peças novas e usadas em estudo de Campinas (Foto: Patrícia Teixeira/G1)

Infecções e transmissão de doenças

O ginecologista, obstetra e professor Carlos Tadayuki Oshikata, que atua no Hospital Celso Pierro da PUC de Campinas, alerta que, dependendo da paciente, as infecções urinárias podem atingir formas graves.

"Numa gestante, é a principal causa de trabalho de parto prematuro, em uma paciente idosa pode levar até a morte se ela for imunodeprimida", explica o especialista.

Oshikata relaciona o risco à falta de cuidado com a higiene da vagina, que possui proteção natural devido à sua acidez, mas fica vulnerável com o uso de roupas de material sintético e o abafamento da região, por exemplo.

"Isso faz com que haja uma proliferação de micro-organismos potencialmente patogênicos. A partir daí você vai ter uma infecção, que pode ser bacteriana ou fúngica. Uma vez que estabelece esse desequilíbrio na flora, vai predispor à infecção urinária", afirma o ginecologista.

  No caso dos homens, o chefe da urologia da Hospital da PUC, André Meirelles, pontua que há risco de transmissão de doenças se houver compartilhamento das peças íntimas, principalmente se a pessoa é portadora de doenças sexualmente transmissíveis. Mas, a ocorrência é remota. Pesquisadora de Campinas colhe amostra em calcinha para verificar contaminação (Foto: Patrícia Teixeira/G1)
"Tem gente que não lava por dois, três dias. [...] No caso de hemorróida e fístula, tem sangramento, ter contato com o sangue de outras pessoas nunca é bom. [...] Uma roupa dessa tem que ser muito bem lavada, e se houve uma contaminação muito grande - sangramento, feridas com pus - tem que jogar fora", afirma o urologista.

Higienização ideal

Segundo Rosana, o ideal é que as roupas íntimas não sejam lavadas com sabão em pó ou outros produtos durante o banho, como shampoo, mas com sabão neutro. Também é importante não misturá-las com outras peças de roupa e, principalmente, não deixar dias no cesto aguardando a lavagem. A contaminação se alastra.

"A Escherichia coli , responsável pela maioria das infecções, dobra a população a cada 20 ou 30 minutos", afirma.

Na hora de colocar para secar, vale cuidar para que as peças não estejam do lado do avesso, pois correm o risco de serem contaminadas por insetos. Antes do uso vale, ainda, um "choque" de temperatura.

"A maioria dos micro-organismos não é resistente a altas temperaturas. Não usar ferro a vapor, por conta da umidade", completa a bióloga.

    Pesquisadora da Devry Metrocamp analisa peças íntimas em estudo de Campinas (Foto: Patrícia Teixeira/G1)

Pesquisadora da Devry Metrocamp analisa peças íntimas em estudo de Campinas (Foto: Patrícia Teixeira/G1)

O ginecologista Carlos Tadayuki Oshikata ressalta, ainda, que a mulher deve se preocupar mais em manter a saúde da vagina como forma de proteção. Por exemplo, usar calcinha de algodão e até dormir sem calcinha, para manter o ambiente arejado.

"Em relação à higiene, mais em adolescentes e crianças pelo fato de não saberem se limpar, após a evacuaçãoo é comum a contaminação. A limpeza deve ser da vagina para trás", ensina.

Fonte - G1

principal  |  voltar  |  imprimir

Últimas Noticias

.
16/04/2019 - 10:15  Lei obriga hospitais a informar que reconstrução de mama é gratuíta
15/04/2019 - 10:50  Campanha de vacinação contra a gripe começa nesta quarta-feira em MS
12/04/2019 - 11:46  7ª Conferência Municipal de Saúde de Dois Irmãos do Buriti
11/04/2019 - 11:46   Homem é 11ª vítima da dengue em MS e as notificações já chegam a 21,7 mil
11/04/2019 - 10:26  Estilo de vida responde por 63 mil mortes de câncer por ano no Brasil
10/04/2019 - 09:19  MS vai receber 860 mil doses de vacina para gripe
09/04/2019 - 10:13  Exército atira 80 vezes em carro de família no RJ e mata Evaldo Rosa, 51, músico
09/04/2019 - 10:12  Hospital Universitário inicia mutirão para implantação de DIU de cobre
04/04/2019 - 10:10  Mortes por dengue quase dobram em uma semana em MS
29/03/2019 - 09:41  Mato Grosso do Sul é o terceiro estado em incidência da dengue
27/03/2019 - 09:02  Estado intensifica ações de combate à dengue nas cidades de MS
22/03/2019 - 11:36  Menino de 11 anos morre em UTI e é a 5º vítima de dengue
19/03/2019 - 09:14  MS é o estado com maior volume de ações judiciais em saúde
18/02/2019 - 08:22  Primeira morte por dengue é confirmada em MS
07/02/2019 - 09:26  Governo do Estado lança Campanha de Prevenção da Gravidez na Adolescência
10/01/2019 - 09:17  Casos de sarampo chegam a 10,2 mil
26/11/2018 - 07:58  Mosquito já causou 5,7 mil casos de dengue, chikungunya e zika vírus
05/11/2018 - 14:50  Começa hoje campanha de conscientização contra o câncer de próstata
30/10/2018 - 09:46  Sarampo volta a ser uma ameaça e deixa Capital em estado de alerta
24/10/2018 - 11:07  Brasil tem 2.425 casos confirmados de sarampo
 
 
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE