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Noticia de: 15 de Maio de 2019 - 09:25
Por falta de repasse, Hospital Regional de Aquidauana deixa de atender pacientes de fora da cidade



 
 

 
 

O Hospital Regional Estácio Muniz de Aquidauana foi obrigado a suspender os atendimentos acima dos pactuados para pacientes de outras cidades da microrregião em razão das dificuldades de arcar com os custos além da quantidade contratual prevista junto às prefeituras do entorno.

A medida é um dos efeitos da falta de complementação de verbas, apesar das diversas reuniões entre a administração da instituição junto aos representantes da Saúde dessas cidades, já que esses pacientes procuram o atendimento do HR de Aquidauana, ao invés de buscar os serviços de saúde oferecidos pelos seus municípios de origem.

O secretário de Saúde do Estado, Geraldo Resende confirmou, em entrevista ao jornal Campo Grande News nesta segunda-feira (13), estar ciente do problema da falta de repasse das prefeituras do interior junto à administração do Hospital Estácio Muniz e que foi informado sobre a situação no último domingo (12).

Segundo o titular da SES, representantes das secretarias de Saúde de Miranda, Anastácio, Nioque, Bodoquena e Dois Irmãos do Buriti, municípios que pactuaram quantidades determinadas de atendimento conforme o repasse em vigor, seriam convocados para uma reunião junto ao governo do Estado a fim de resolver a falta do repasse excedente que impacta diretamente nos serviços de saúde oferecidos aos próprios moradores de Aquidauana.

O governo do Estado já teria sinalizado um aporte emergencial de R$ 150 mil há cerca de três meses e o Hospital Regional Estácio Muniz ainda aguarda o recurso para desafogar o atendimento de pacientes de fora da cidade que chegam à instituição, enquanto os contratos não forem atualizados. Sem condições de atender aos doentes das cidades vizinhas a Aquidauana, segundo diretor administrativo do Hospital Regional, Joacir Gomes, a ajuda financeira dos municípios do entorno é fundamental para a regularização da assistência médica hospitalar.

“Todos esses municípios pactuaram uma quantidade preestabelecida de procedimentos com o hospital. Estamos atendendo normalmente os pactuados, contudo, os casos que não são de emergência, encaminhados de volta os pacientes aos seus municípios de origem, salvo as situações de urgência, pois mesmo assim estes são atendidos”, explica o diretor administrativo.

Joacir Gomes ainda ressalta que das 265 internações ao mês previstas nos contratos, o HR de Aquidauana tem atendido em média 380 internações ao mês de pacientes de fora da cidade. “O restante quem paga é o município de Aquidauana, com medicamentos, alimentos, rouparia, entre outros”, esclarece o gestor do Estácio Muniz.

Atrasos na folha de pagamento

Ainda de acordo com Joacir Gomes, o que a instituição cobra dessas prefeituras é um reajuste dos procedimentos pactuados, já que o HR de Aquidauana enfrenta uma grave crise financeira por atender o excedente sem o devido repasse dos serviços prestados pela instituição. “O que estamos propondo é um reajuste, mas nunca conseguimos. Quem paga o excedente é o município que tem que arcar com isso, e consequentemente, o contribuinte de Aquidauana”, rebateu.

Frente a essa situação, o diretor administrativo acrescenta que o HR de Aquidauana encara dificuldades em colocar a folha de pagamento de seus funcionários em dia. “Estou com duas folhas de pagamento atrasadas e mais o 13º salário que ainda não temos também. Chegamos a um colapso. Aquidauana não está conseguindo arcar com todos esses atendimentos sem o repasse dessas prefeituras.”

O cenário, segundo Joacir Gomes, pode afetar até o atendimento aos próprios aquidauanenses. “Estamos fazendo um grito de socorro porque chegamos ao nosso limite. Na realidade, esses pacientes de fora estão prejudicando os pacientes de Aquidauana, pois vai chegar uma hora em que não teremos mais condições nem de atender aos aquidauanenses”, alerta.

Por outro lado

A exemplo dos partos realizados pelo Hospital Regional Estácio Muniz para munícipes residentes em Anastácio, Joacir Gomes revela que o pactuado para essas parturientes é de 2 partos ao mês. Entretanto, o hospital tem realizado em média 32, 33 partos mensais, o que acarreta em um aumento de 16 vezes mais do que o contratado pela Secretaria de Saúde do município vizinho.

Acrescenta-se a isso a recente suspensão do repasse no valor de R$ 30 mil mensais junto ao HR de Aquidauana proveniente da Prefeitura de Anastácio para arcar com serviços de saúde oferecidos aos anastacianos pelo hospital.

Entretanto, mesmo em face à dificuldade enfrentada pelo HR, foi publicado em Diário Oficial Eletrônico de Anastácio no dia 2 de maio a autorização do repasse da ordem de R$23.200 ao Jockey Clube Honorivaldo Alves de Albres, nome dado em homenagem ao pai do atual gestor municipal de Anastácio, Nildo Alves de Albres, para viabilizar a realização do 1º Grande Prêmio de Turfe de Anastácio-MS, que aconteceu no Hipódromo Municipal Honorivaldo Alves de Albres no último domingo (12) em comemoração ao aniversário da cidade.

Torneio de corridas de cavalos em Anastácio teve custo semelhante ao repasse que Prefeitura deixou de pagar ao HR de Aquidauana. Foto: divulgação/Facebook da Prefeitura de Anastácio










Na publicação oficial, consta ainda o detalhamento do pagamento: R$ 8 mil para premiação em geral do evento e mais R$ 15.200 para pagamento de toda a estrutura para a realização. Valores esses semelhantes ao que deveria ser repassado ao Hospital Regional Estácio Muniz a fim de evitar a recusa desses pacientes anastacianos que buscam atendimento de saúde diariamente.


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